Projeto da UEG fortalece a apicultura e a preservação ambiental em São Luís de Montes Belos

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Iniciativa do Câmpus Oeste da Universidade Estadual de Goiás une formação acadêmica, preservação das abelhas, recuperação do Cerrado e apoio à agricultura familiar

Abelhas, preservação ambiental, recuperação do Cerrado e geração de renda para pequenos produtores rurais. Esses são alguns dos resultados de um projeto desenvolvido pelo Câmpus Oeste da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em São Luís de Montes Belos, que vem transformando conhecimento científico em benefícios concretos para a comunidade.

Coordenada pelo professor doutor Paulo Victor Divino Xavier, do curso de Zootecnia, a iniciativa atua no resgate de enxames, na produção e distribuição de mudas nativas e na formação prática de estudantes que participam diretamente das atividades desenvolvidas. O projeto tem contribuído para fortalecer a apicultura regional, incentivar a preservação das abelhas e aproximar a universidade da realidade dos produtores rurais.

Mais do que uma ação ambiental, o trabalho desenvolvido pela UEG tem gerado impactos positivos na formação acadêmica dos estudantes, ampliado oportunidades para a agricultura familiar e promovido o desenvolvimento sustentável em São Luís de Montes Belos e região.

O papel da UEG além da sala de aula

Mais do que uma atividade de extensão, o projeto demonstra como a universidade pode contribuir diretamente para a sociedade. A iniciativa integra ensino, pesquisa e extensão, levando conhecimento científico para além dos muros da instituição e aproximando os acadêmicos da realidade vivida pelos produtores rurais.

Durante as atividades, os estudantes participam de todas as etapas do projeto, desde a produção de mudas e o manejo das colmeias até o acompanhamento das ações desenvolvidas junto à comunidade. A experiência prática permite que os futuros profissionais desenvolvam habilidades técnicas e ampliem sua visão sobre sustentabilidade, meio ambiente e produção rural.

Segundo o professor Paulo Victor, a participação dos alunos é fundamental para que eles cheguem ao mercado de trabalho mais preparados e conscientes do papel que podem desempenhar na construção de uma sociedade mais sustentável.

Abelhas que preservam e geram renda

Uma das principais frentes do projeto é o resgate de enxames localizados em áreas que oferecem risco às pessoas ou às próprias colônias. Após serem capturadas, as abelhas são levadas para a Fazenda Escola da UEG, onde recebem manejo adequado antes de serem destinadas a pequenos produtores da agricultura familiar.

Além de preservar as espécies, a iniciativa incentiva a atividade apícola como alternativa de geração de renda. A produção de mel, cera, pólen e outros produtos derivados das abelhas pode representar uma importante fonte complementar de recursos para as famílias rurais.

De acordo com o coordenador do projeto, uma colmeia bem manejada pode produzir cerca de 30 quilos de mel por ano na região. A produção ocorre principalmente durante o período de seca, quando há grande floração de espécies do Cerrado, favorecendo o trabalho das abelhas e a produtividade dos apiários.

O projeto também contribui para a difusão de informações técnicas sobre a atividade, auxiliando produtores que desejam iniciar ou ampliar a criação de abelhas.

Formação prática que transforma futuros profissionais

Além das ações ambientais e produtivas, a iniciativa tem gerado importantes resultados na formação acadêmica dos estudantes da UEG.

O acadêmico de Zootecnia Jonathan Marcos Monteiro dos Santos é um dos participantes do projeto e desenvolveu uma pesquisa para avaliar os resultados das doações de mudas realizadas pela universidade.

Segundo o levantamento, mais de 92% das mudas distribuídas foram efetivamente plantadas pelos beneficiários e cerca de 78% sobreviveram após o plantio, índice considerado bastante positivo para a realidade climática da região.

“O contato com as pessoas e a participação nas ações têm sido uma experiência muito importante. Além da vivência prática, o projeto abriu portas para a pesquisa e para novas oportunidades dentro da universidade”, afirmou Jonathan.

Pesquisa da UEG ganha destaque nacional

Os resultados obtidos pelo estudante renderam reconhecimento além das fronteiras de Goiás. O trabalho foi aprovado para apresentação em um congresso nacional da área de Zootecnia realizado em Viçosa (MG), uma das principais referências do país em ensino e pesquisa agropecuária.

A pesquisa apresenta os impactos das doações de mudas realizadas pelo projeto e demonstra a importância das ações desenvolvidas pela universidade para a preservação ambiental e para o fortalecimento da consciência ecológica na comunidade.

Para Jonathan, a oportunidade representa um importante passo na trajetória acadêmica.

“Fiquei muito feliz quando recebi a notícia da aprovação. É uma oportunidade de representar a UEG e mostrar o trabalho que está sendo desenvolvido aqui em São Luís de Montes Belos”, destacou.

Mudas nativas ajudam a fortalecer o Cerrado

Outra ação que tem chamado a atenção da comunidade é a distribuição gratuita de mudas nativas em feiras, eventos e atividades promovidas pela universidade.

Entre as espécies doadas estão ipê-amarelo, ipê-roxo, jacarandá, baru, cagaita, tamboril e outras árvores típicas do Cerrado. Além de contribuírem para a recuperação ambiental e para a arborização urbana, essas espécies fornecem alimento e abrigo para as abelhas, fortalecendo o equilíbrio ecológico da região.

Segundo os organizadores, a procura pelas mudas cresce a cada edição das ações. Muitas pessoas retornam para compartilhar os resultados do plantio e demonstram interesse em colaborar com o projeto por meio da doação de sementes e mudas.

Ciência, sustentabilidade e desenvolvimento regional

Os resultados alcançados mostram como a universidade pode contribuir diretamente para o desenvolvimento regional. Ao integrar estudantes, professores, produtores rurais e comunidade em torno de objetivos comuns, o projeto fortalece a apicultura, incentiva a preservação ambiental e amplia as oportunidades para a agricultura familiar.

A iniciativa também reforça a importância das abelhas para a manutenção da biodiversidade e para a produção de alimentos, ao mesmo tempo em que promove a recuperação do Cerrado e a formação de profissionais comprometidos com a sustentabilidade.

Com ações que unem conhecimento científico, responsabilidade ambiental e compromisso social, o projeto do Câmpus Oeste da UEG vem se consolidando como uma importante ferramenta de transformação em São Luís de Montes Belos e em toda a região.

Por: Simões Filho | Rede Diocesana de Rádio

Apiário da UEG na Fazenda Escola. (Foto: Simões Filho)

Aplicação de fumaça na colmeia antes e durante a abertura para inspeção ou colheita de mel. O procedimento tem como objetivo acalmar as abelhas e facilitar o manejo (Foto: Simões Filho)

Na foto, o professor Paulo Victor no apiário do Câmpus Oeste da UEG, local onde são realizadas atividades de manejo e cuidados com abelhas sem ferrão, conhecidas por seu comportamento não agressivo. (Foto: Simões Filho)