Bispos do Regional Centro-Oeste da CNBB divulgam nota sobre as Eleições 2026

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Documento apresenta critérios de discernimento aos eleitores e faz apelo por ética, diálogo, respeito às diferenças e compromisso com o bem comum

Os Bispos do Regional Centro-Oeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgaram uma nota sobre as Eleições Gerais de 2026. O documento é dirigido ao povo de Deus das dioceses do Regional e a todos os homens e mulheres de boa vontade, diante do processo eleitoral que definirá, em outubro, os novos representantes para os cargos de Presidente da República, Governadores, Senadores, Deputados federais, estaduais e distritais.

Com o título “Nota dos Bispos do Regional Centro-Oeste sobre as Eleições 2026”, o texto apresenta critérios de discernimento fundamentados no Evangelho e na Doutrina Social da Igreja. A reflexão é introduzida pela passagem da Carta de São Paulo aos Romanos: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da mente” (Rm 12,2).

Igreja não se vincula a partidos

Os bispos ressaltam que a Igreja não se identifica com partidos políticos nem se vincula a projetos de poder. Segundo a nota, sua missão é anunciar Jesus Cristo e contribuir para a formação da consciência dos fiéis, para que valores como verdade, justiça, caridade e paz estejam presentes também na vida social.

O documento também acolhe o chamado do Papa Leão XIV para a construção de uma “paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante”, relacionando essa busca pela paz à ação política, ao diálogo e à superação da cultura de hostilidade.

Atenção aos mais pobres

Para os bispos, as escolhas políticas devem considerar especialmente a realidade daqueles que mais sofrem. A nota destaca os pobres e esquecidos, incluindo pessoas que enfrentam situações de fome e falta de moradia.

A partir desses princípios, o Regional Centro-Oeste apresenta uma série de critérios aos quais os eleitores são convidados a dar atenção.

Entre eles está a integridade dos candidatos, com histórico íntegro, reputação ilibada e conformidade com os critérios da Lei da Ficha Limpa. Os bispos também defendem campanhas pautadas pela honestidade, sem compra de votos, calúnia ou difamação e com respeito aos adversários.

Combate à corrupção e às fake news

A nota também chama a atenção para a necessidade de combater toda forma de corrupção, defendendo ética na vida pública, transparência na gestão dos recursos públicos e responsabilidade no exercício dos mandatos.

Outro ponto destacado é o enfrentamento às fake news e à manipulação da informação, especialmente nas redes sociais e plataformas digitais. Para os bispos, o debate público deve estar baseado em fatos, no respeito às pessoas e na integridade da comunicação.

Saúde, educação, segurança e geração de renda

Os bispos também orientam os eleitores a observar candidatos que apresentem propostas consistentes para o Brasil e para os Estados, especialmente nas áreas de saúde, educação, segurança pública, geração de trabalho e renda e superação da pobreza.

A defesa e proteção da vida humana, desde a concepção até a morte natural, também aparece entre os critérios apresentados no documento.

A nota ainda pede atenção ao uso da religião no período eleitoral. Os bispos defendem que não haja utilização manipuladora da fé do povo para fins eleitoreiros.

Ecologia integral e diálogo

Entre os demais critérios estão o compromisso com a ecologia integral, a proteção das águas e das florestas e a devida atenção aos produtores rurais.

O documento também destaca a capacidade de diálogo, o respeito às diferenças e a construção da paz social, apontando a necessidade de superar o ódio e a polarização que fragmentam a sociedade.

“Grave erro” transformar eleições em motivo de ruptura

Ao abordar a convivência democrática, os bispos reconhecem que a democracia exige o debate legítimo das ideias, mas também estabelece limites morais. Para eles, é necessário manter firmeza nas próprias convicções sem deixar de respeitar a dignidade do outro.

A nota alerta que o processo eleitoral não deve provocar rupturas entre famílias, amigos e comunidades.

“Após as eleições, continuaremos morando nas mesmas cidades, membros da mesma sociedade e irmãos em um mesmo chão”, afirma o documento.

Orientação a candidatos e eleitores

Aos candidatos, os bispos pedem que a política seja assumida como vocação de serviço, com respeito ao povo, especialmente aos mais pobres, e compromisso com a verdade, o bem comum, a transparência e a paz social.

Aos eleitores, a recomendação é que rezem, reflitam, dialoguem e conheçam a vida e as propostas dos candidatos antes de fazer sua escolha.

Ao final, os bispos afirmam: “Votem com consciência livre, iluminada pela fé e pela razão.”

O documento é encerrado com a confiança das comunidades e dos eleitores à proteção de Senhora Sant’Ana, para que as Eleições Gerais de 2026 sejam vividas como uma ocasião de discernimento, responsabilidade e esperança.