Carta aos Catequistas

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Dom Lindomar Rocha Mota
Bispo de São Luís de Montes Belos (GO)

Queridos catequistas,

Quero, antes de tudo, agradecer. Agradeço pelo tempo doado aos pequenos e aos grandes; pela perseverança e trabalho discreto na seara do Senhor. Deus, porém, conhece o seu coração e o seu amor.

Agradeço e lhes e peço ainda mais! Peço que ensinem a fé com serenidade e profundidade. Ensinem as orações, os mandamentos, os sacramentos, a Escritura e aquilo que a Igreja recebeu dos apóstolos. Façam isso, porém, de modo que cada palavra conduza à pessoa de Jesus Cristo.

Quando falarem de Jesus mostrem aquele que caminhou pelas estradas da Galileia, chamou pessoas comuns, acolheu os pecadores, sentou-se à mesa com os excluídos e teve paciência com os discípulos. Mostrem o Cristo que conhece a fragilidade humana e, ainda assim, confia a nós a missão de continuar o que Ele mesmo começou.

Não tenham receio das perguntas. A fé católica não se enfraquece quando alguém pergunta. Quando não souberem responder, procurem juntos. O catequista também é discípulo e continua aprendendo enquanto ensina e enquanto conduz outros pelo caminho.

Ensinem também o silêncio. Vivemos num tempo barulhento de muitas opiniões, imagens e palavras. Uma grande graça que podemos oferecer aos nossos catequizandos é ajudá-los a permanecer alguns minutos diante de Deus sem precisar produzir nada. Levem-nos à igreja. Mostrem-lhes o altar, a cruz, a imagem de Nossa Senhora, o sacrário. Expliquem por que aquela luz está sempre acesa.

A Eucaristia deve ocupar um lugar especial nesse caminho. Ensinem-lhes a aproximar-se do altar com reverência e alegria. Aquele que participa da mesa do Senhor aprende, pouco a pouco, que a vida cristã também é mesa partilhada, serviço e comunhão. Quem recebe o Corpo de Cristo é chamado a reconhecer Cristo no irmão.

Ensinem-lhes a amar a Igreja com amor verdadeiro, que não depende de idealizações. A Igreja é santa porque pertence a Cristo e carrega, ao mesmo tempo, a fragilidade dos seus filhos. Não escondam as fraquezas humanas, mas mostrem que Deus continua realizando sua obra através de homens e mulheres imperfeitos. Essa verdade pode ensinar muito sobre misericórdia e responsabilidade.

Falem de Maria com a ternura que a tradição cristã aprendeu ao longo do tempo. Apresentem aquela jovem que escutou uma palavra maior do que poderia compreender e respondeu com confiança. Em seu “faça-se” existe algo que cada cristão precisará aprender um dia: a coragem de entregar a própria vida a Deus mesmo quando o caminho ainda não aparecer inteiro diante dos olhos.

Ensinem os mandamentos não como um conjunto de proibições, mas como caminhos que protegem aquilo que é precioso e coloque-os ao lado das Bem-aventuranças. Falem do pecado, mas falem ainda mais da misericórdia. Mostrem que o sacramento da Reconciliação é lugar de recomeço. Não permitam que cresçam carregando a imagem de um Deus severo. Explique com suficiente largueza a história do Pai que espera o filho voltar para casa.

Ensinem também que a fé precisa alcançar a vida. Quem aprende a rezar deve aprender também a repartir. O Cristo que encontramos no altar continua vindo ao nosso encontro nos pobres, nos doentes, nos idosos, nas famílias feridas e em tantos que necessitam de cuidado.

Não se preocupem em formar pessoas capazes de vencer discussões religiosas. A fé pode dialogar com a inteligência, com a ciência, com a cultura e com as grandes perguntas humanas. Uma fé profunda não precisa fugir das perguntas, porque sabe em quem colocou sua confiança.

Vocês trabalham para uma colheita que pertence ao futuro, é por isso que a Igreja olha para vocês com grande apreço e gratidão.

Quando já tiverem ensinado as orações, explicado os sacramentos, aberto as páginas da Escritura e apresentado a beleza da tradição da Igreja, confiem! O Mestre saberá continuar a obra que começou através de vocês.

Com minha gratidão e minha oração.