Mudança foi oficializada durante Santa Missa neste domingo (23), após processo de discernimento pastoral e ampla participação da comunidade
A comunidade católica de Iporá viveu, neste domingo (23), um momento marcante em sua história. Durante a celebração da Santa Missa, foi oficializada a mudança do padroeiro principal da então Paróquia São Paulo VI, que passa a ser denominada Paróquia São José. A decisão, acolhida e ratificada por decreto do bispo diocesano de São Luís de Montes Belos, Dom Lindomar Rocha Mota, representa uma nova etapa na caminhada pastoral e espiritual da comunidade.
O decreto foi assinado no dia 12 de agosto de 2026, na Cúria Diocesana, e estabelece que, para todos os efeitos canônicos, pastorais, administrativos e públicos, a antiga Paróquia São Paulo VI passa a se chamar Paróquia São José. O documento também determina que São José seja constituído como padroeiro principal da comunidade.
A mudança, no entanto, não aconteceu de forma repentina. Segundo o pároco, Padre Geraldo, desde sua chegada à comunidade foi percebido que, embora os fiéis tivessem forte vínculo com a paróquia, não havia a mesma ligação com São Paulo VI enquanto padroeiro. A partir dessa percepção, começou um processo de reflexão junto a membros da comunidade sobre a possibilidade de uma mudança.
“Padroeiro é aquele santo que liga as pessoas da paróquia, que une as pessoas da paróquia, que atrai fiéis”, explicou o sacerdote.
Como parte desse processo, a comunidade passou a desenvolver, de maneira gradual, uma maior devoção a São José. Durante dois anos, foram realizadas ações específicas para aproximar os fiéis da espiritualidade do santo, incluindo duas festas dedicadas a São José, cada uma com dez dias de celebrações, além de quatro momentos de consagração.
De acordo com o pároco, a resposta da comunidade foi positiva. A participação nas celebrações cresceu de um ano para o outro, demonstrando uma adesão cada vez maior à devoção josefina. Para Padre Geraldo, esse processo ajudou a confirmar que a escolha de São José correspondia a um desejo que já vinha se manifestando entre os fiéis.
Uma mudança que nasce do sentimento dos fiéis (Sensus Fidelis)
Durante a homilia, o bispo diocesano, Dom Lindomar Rocha Mota, ressaltou que a escolha de São José não partiu de uma imposição hierárquica, mas da escuta do próprio Espírito Santo agindo no povo de Deus.
“Não é uma história nova, não é algo novo que começa porque a história do povo de Deus nunca é interrompida. É a mesma história, a mesma caminhada e a mesma continuidade, mas que chega para se somar agora àquilo que o nosso coração já sentia. Que bom que não nasce de nenhum decreto simplesmente do bispo ou do padre, mas de um pedido da própria comunidade. A Igreja não cria verdades, ela acolhe no senso comum dos fiéis aquilo que o Espírito Santo revela. A Igreja é dócil à voz do Espírito”, destacou o bispo ao lembrar que a comunidade acolheu a novidade em um processo amadurecido de fé.
Dom Lindomar recordou ainda a memória histórica do local, que já se chamou Comunidade Cristo Libertador e posteriormente foi elevada a paróquia sob a dedicação de São Paulo VI. “Crescia no coração da comunidade o desejo de se ligar afetiva e efetivamente ao seu padroeiro. Passaram por aqui a devoção ao Divino Pai Eterno, a Nossa Senhora de Fátima, a Santa Rita de Cássia, e a Virgem Maria, sempre. Mas cresceu no coração também da comunidade o amor a São José”, afirmou.
São José como novo padroeiro
A escolha de São José também está relacionada ao significado de sua missão na vida de Jesus e da Sagrada Família. O decreto diocesano destaca o santo como esposo da Virgem Maria, pai legal e guarda do Redentor, homem justo e fiel e patrono da Igreja Universal.
O documento determina que a devoção a São José seja cultivada e aprofundada na vida da nova paróquia. Entre as orientações estão a realização anual de novenas preparatórias para a solenidade de 19 de março, a valorização da memória de São José Operário, celebrada em 1º de maio, além da promoção de catequeses, celebrações e iniciativas pastorais voltadas à espiritualidade do santo.
A espiritualidade de São José deverá também estar integrada a diferentes dimensões da vida pastoral da comunidade, especialmente nas áreas de família, vocações, santificação do trabalho e formação cristã dos fiéis.
São Paulo VI permanece na história da comunidade
Apesar da mudança do padroeiro principal, São Paulo VI não deixa de fazer parte da identidade da paróquia. O decreto estabelece que ele permanece como padroeiro, conservando seu lugar na memória espiritual e histórica da comunidade.
Sua memória litúrgica continuará sendo celebrada, assim como sua vida, seu magistério e seu testemunho de serviço à Igreja, especialmente sua dedicação à evangelização e sua fidelidade ao Concílio Vaticano II.
Dessa forma, a mudança não representa o apagamento da história construída sob o título de São Paulo VI, mas uma nova configuração da identidade espiritual da comunidade, que passa a ter São José como seu principal padroeiro.
A primeira Paróquia São José da Diocese
Com a entrada em vigor do decreto, a Paróquia São José passa a ser a primeira paróquia da Diocese de São Luís de Montes Belos dedicada a São José. Para a Diocese, essa condição também traz uma responsabilidade especial na promoção da devoção ao Patrono da Igreja Universal.
Ao final do decreto, Dom Lindomar Rocha Mota confia a nova paróquia à proteção de São José e expressa o desejo de que o santo ajude a comunidade a manter Cristo no centro de sua vida, acolher a vontade de Deus com fé e servir à Igreja com fidelidade.
A celebração deste domingo, portanto, marca não apenas uma mudança de nome e de padroeiro, mas o início de uma nova etapa na caminhada da comunidade católica de Iporá, que agora se coloca sob a proteção de São José, mantendo viva a memória e o legado de São Paulo VI.






