Durante entrevista concedida ao Jornal RDR nesta semana, o prefeito de Caiapônia,
Argemiro Rodrigues (UB), abordou temas considerados sensíveis para a administração
municipal e trouxe declarações fortes sobre a situação financeira enfrentada pela
Prefeitura, os impactos dos precatórios milionários, os investimentos em saúde e
habitação, além do cancelamento das festividades tradicionais previstas para 2026.
A entrevista repercutiu principalmente após o prefeito justificar a suspensão da
tradicional Exposição Agropecuária de Caiapônia (Expac), afirmando que a prioridade
da gestão será manter os serviços essenciais funcionando.
Segundo Argemiro Rodrigues (UB), somente neste ano o município terá que pagar
cerca de R$ 4,9 milhões em precatórios judiciais. De acordo com ele, as dívidas
envolvem ações antigas movidas por servidores públicos e outras questões
administrativas acumuladas ao longo de décadas.
“Lei não se discute, lei se cumpre. Eu não posso ser irresponsável de querer satisfazer o
ego fazendo festa e depois deixar faltar dinheiro para saúde, ambulância, combustível
ou pagamento de funcionário”, afirmou.
O prefeito ressaltou que os precatórios não pertencem especificamente a uma única
administração e explicou que muitos processos são antigos, alguns iniciados ainda na
década de 1990.
“Funcionário entrou na Justiça buscando direito dele. Pode ter sido na minha gestão ou
na gestão de qualquer prefeito. Nós temos que cumprir”, declarou.
Grade de shows da Expac já estava definida
Durante a entrevista, Argemiro confirmou que a programação da Expac 2026 já estava
praticamente pronta antes do cancelamento.
A abertura da festa, prevista para o dia 1º de julho, teria apresentação da dupla Danilo e
Davi. No dia 2, a atração principal seria Zezé Di Camargo. Já na sexta-feira, dia 3, o
público acompanharia o show da dupla Rick & Renner. O encerramento, marcado para
o sábado, dia 4 de julho, contaria com apresentação da dupla Israel & Rodolffo.
Mesmo com a grade praticamente definida, a gestão decidiu cancelar o evento diante da
situação financeira do município.
Segundo o prefeito, a Expac já ficou aproximadamente sete anos sem ser realizada em
outras administrações e a decisão atual foi tomada pensando na responsabilidade fiscal
da Prefeitura.
Rodeio pode acontecer em nova data
Apesar do cancelamento dos shows, Argemiro afirmou que existe a possibilidade do
rodeio acontecer em uma nova data, em parceria com o Sindicato Rural e o Clube do
Laço.
Segundo ele, a administração ainda estuda alternativas para manter ao menos parte da
tradição ligada ao esporte e à cultura sertaneja no município.
“O rodeio continua na programação, mas talvez em outra data. Estamos analisando”,
explicou.
Durante a entrevista, o presidente do Sindicato Rural, Vinícius Santos, enviou
mensagem ao programa demonstrando apoio à decisão da Prefeitura e afirmando que
entende a necessidade de cortes para manter o município equilibrado financeiramente.
Aniversário de Caiapônia ainda pode ter programação
Outro assunto comentado durante a entrevista foi o aniversário de Caiapônia,
comemorado no dia 29 de julho.
Segundo o prefeito, a administração ainda pretende realizar alguma programação
especial para marcar a data, embora ainda não exista definição oficial sobre formato ou
atrações.
“Vamos tentar fazer o aniversário da cidade sim, mas ainda vamos fazer reuniões e
avaliar as condições”, afirmou.
Argemiro também comentou que outras festividades tradicionais do município seguem
sem definição neste momento, incluindo o tradicional arraial realizado na Feira Coberta.
Mais de R$ 10 milhões pagos em precatórios
Durante a entrevista, Argemiro afirmou que, desde o início de sua gestão em 2021 até
2026, o município já pagou mais de R$ 10 milhões em precatórios.
Entre os exemplos citados, o prefeito lembrou do pagamento relacionado ao prédio da
Prefeitura Municipal, cuja ação, segundo ele, ultrapassou R$ 1,6 milhão.
A declaração chamou atenção ao evidenciar o impacto das decisões judiciais nas contas
públicas municipais.
Alerta sobre perda de arrecadação
Outro trecho que repercutiu foi o alerta feito pelo prefeito em relação à reforma
tributária e aos impactos futuros para os municípios.
Segundo Argemiro Rodrigues (UB), Caiapônia poderá perder cerca de R$ 17 milhões
por ano em arrecadação nos próximos anos caso as mudanças avancem da forma
prevista atualmente.
“Vai chegar um ponto que muitos municípios não vão conseguir manter tudo o que
mantêm hoje”, declarou.
Moradias, saúde e investimentos seguem como prioridade
Apesar do cenário financeiro, o prefeito afirmou que a administração continuará
priorizando investimentos considerados essenciais, principalmente nas áreas de saúde,
infraestrutura e habitação.
Entre os anúncios feitos durante a entrevista está a previsão de entrega de 100 moradias
populares nos próximos dias, além da continuidade de obras de recapeamento urbano,
pavimentação e investimentos no abastecimento de água em parceria com a Saneago.
Segundo Argemiro, mais de R$ 10 milhões devem ser investidos na melhoria do
sistema de abastecimento de água do município.
Ao final da entrevista, o prefeito reforçou que a prioridade da gestão é manter o
município organizado financeiramente.
“Tem mais dois anos e meio de gestão ainda. Queremos entregar Caiapônia organizada,
com obras concluídas e sem deixar o município em dificuldade”, concluiu.
Por: Simões Filho | Rede Diocesana de Rádio








