Entidade ligada a igrejas evangélicas e pastores movimentou R$ 7,78 milhões e recebeu R$ 928 mil em espécie no caso Dark Horse

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Dados do Coaf aparecem em decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (10)

A investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos e a produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou novos elementos nesta quinta-feira (10).

Segundo informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), citadas em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a União Nacional das Igrejas e Pastores Evangélicos (Unigrejas) movimentou, de forma considerada atípica, aproximadamente R$ 7,78 milhões entre outubro de 2025 e abril de 2026.

De acordo com os dados apresentados na decisão, mais de R$ 1 milhão foi depositado na conta da entidade a partir de diferentes localidades do país. Desse montante, aproximadamente R$ 928 mil foram depositados em dinheiro vivo. O valor de R$ 7,78 milhões corresponde à movimentação de entradas e saídas identificada no período.

Transferências relacionadas ao caso

Ainda segundo os dados citados na decisão, a Unigrejas recebeu R$ 50 mil do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e outros R$ 50 mil de Karina Ferreira da Gama.

Karina é presidente do ICB e também sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse.

A entidade ligada às igrejas também realizou transferências para outras organizações religiosas. Entre os valores citados estão aproximadamente R$ 157,8 mil destinados à Igreja Universal do Reino de Deus e R$ 150 mil para a Associação Nova Igreja Evangélica Holiness Shalom.

Operação da Polícia Federal

As movimentações financeiras passaram a ser analisadas no contexto da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira. A operação investiga suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares que teriam sido destinados, por meio de organizações da sociedade civil, a projetos que estão sob investigação.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em diferentes estados e no Distrito Federal. Entre os alvos está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também participou da produção de Dark Horse.

A investigação busca esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados por entidades e empresas relacionadas ao caso e verificar se houve utilização irregular de dinheiro público.

As informações divulgadas até o momento fazem parte de uma investigação em andamento. A movimentação financeira apontada pelo Coaf, por si só, não significa que a entidade ou seus integrantes tenham cometido crime. Caberá às autoridades responsáveis pela investigação esclarecer a origem dos valores e eventual relação com as suspeitas apuradas no caso.

Com informações de UOL, Folha de S.Paulo e outros veículos de imprensa.