O Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Iporá, o IPASI, continua sendo motivo de mobilização e preocupação entre aposentados, pensionistas e servidores municipais.
Desde domingo, dia 2 de agosto, aposentados estão acampados no pátio em frente à Prefeitura de Iporá. Uma tenda foi instalada no local e, nesta segunda-feira, os manifestantes organizaram um café da manhã para os participantes. Faixas com diferentes mensagens foram colocadas no espaço, chamando a atenção para a situação financeira do instituto.
A manifestação também tem reunido servidores da ativa, aposentados, pensionistas e políticos de diferentes filiações partidárias, que estiveram no local em apoio ao movimento.
O IPASI foi criado em 1993. Antes disso, os servidores municipais de Iporá contribuíam para o INSS. A criação de um regime próprio de previdência tinha como objetivo garantir a aposentadoria dos funcionários públicos municipais.
De acordo com o professor Paulo Alves, membro da diretoria do Sintego e ex-vereador, os problemas financeiros do instituto começaram praticamente junto com sua implantação.
Segundo ele, entre 1993 e 1996 não teriam sido realizados os depósitos necessários para a formação do fundo. Em 1997, durante a administração do então prefeito Sebastião Pereira Coutinho, uma dívida referente a aproximadamente quatro anos teria sido parcelada.
A partir daí, conforme relata Paulo Alves, o IPASI começou a formar seu patrimônio, mas, ao longo dos anos, sucessivas administrações municipais teriam enfrentado dificuldades para manter em dia os repasses das contribuições dos servidores e também da parte patronal.
Com o agravamento da situação financeira, foi criado o mecanismo de aportes de recursos para tentar reforçar o caixa do instituto. Ainda segundo o professor, porém, os aportes e os parcelamentos não teriam sido suficientes para solucionar o problema.
Para tentar reorganizar as contas, a Câmara Municipal aprovou, ao longo dos anos, diversos parcelamentos de débitos do município com o IPASI.
Paulo Alves afirma que, em 2025, já havia 19 parcelamentos em atraso. Agora, em 2026, segundo ele, o Legislativo municipal aprovou uma nova repactuação, ampliando o prazo de pagamento para até 300 parcelas, numa tentativa de aliviar o impacto financeiro sobre o município.
O acordo, no entanto, teria como compromisso o pagamento em dia dos parcelamentos e também das contribuições correntes, tanto dos servidores quanto da parte patronal.
Segundo os manifestantes, esses pagamentos continuam apresentando atrasos.
A preocupação é que a combinação de aportes em atraso, parcelamentos não pagos e novas obrigações previdenciárias provoque um efeito acumulativo, aumentando ainda mais o déficit do instituto.
Paulo Alves cita ainda uma diferença significativa no patrimônio financeiro do IPASI. Segundo ele, em 2013 o instituto chegou a ter mais de 20 milhões de reais em caixa. Atualmente, conforme as informações apresentadas por ele, o patrimônio financeiro não chegaria a 5 milhões de reais.
A situação se torna ainda mais preocupante, segundo os manifestantes, porque as despesas previdenciárias aumentam à medida que novos servidores deixam a ativa e passam para a aposentadoria.
Para se ter uma ideia do crescimento dessas despesas, somente nesta segunda-feira, de acordo com informações atribuídas ao IPASI pelos manifestantes, três servidores se aposentaram. Juntos, eles representariam uma despesa de aproximadamente 30 mil reais por mês em benefícios.
E a tendência, segundo os participantes da mobilização, é de que esse valor continue crescendo com a chegada de novos aposentados.
O movimento em frente à Prefeitura busca chamar a atenção do poder público e da sociedade para o futuro do IPASI e, principalmente, para a necessidade de garantir recursos suficientes para o pagamento das aposentadorias e pensões dos servidores municipais.
A manifestação também cobra transparência sobre as contas do instituto, o cumprimento dos compromissos assumidos pelo município e medidas capazes de garantir a sustentabilidade do regime próprio de previdência no longo prazo.
O Jornal RDR acompanha a mobilização e deve ouvir também a Prefeitura de Iporá e a direção do IPASI para apresentar os esclarecimentos e a posição oficial sobre os números, os parcelamentos, os aportes e a atual situação financeira do instituto.






