Projeto de biojoias fortalece cultura e empreendedorismo feminino na Comunidade Quilombola Pilões, em Iporá

Compartilhe:

A Comunidade Quilombola Pilões, localizada na zona rural de Iporá, no Oeste de Goiás, deu mais um passo na valorização de sua história e de seus saberes tradicionais com o lançamento do projeto “Saberes do Cerrado: Biojoias Quilombolas e Empreendedorismo Feminino”. A iniciativa foi apresentada na última sexta-feira (10) e reúne ações voltadas à geração de renda, ao fortalecimento da identidade cultural e à preservação ambiental.

Coordenada por Sebastiana Roberta Vieira, a Associação Comunidade Quilombola Pilões desenvolve um trabalho que busca manter vivas as tradições herdadas de seus antepassados. O novo projeto incentiva a produção de biojoias confeccionadas com sementes, fibras e outros materiais encontrados no Cerrado e coletados de forma sustentável, agregando valor aos conhecimentos tradicionais da comunidade.

Em entrevista ao Jornal RDR, Sebastiana destacou que o projeto representa muito mais que uma oportunidade de renda.

“O objetivo é mostrar quem somos, preservar nossa identidade, valorizar nossa cultura e demonstrar que é possível empreender respeitando a natureza”, afirmou.

Segundo a coordenadora, este é o terceiro projeto executado pela associação. A iniciativa atual conta com financiamento do Instituto Equatorial. Em anos anteriores, a comunidade foi contemplada com recursos do Fundo Casa Socioambiental, por meio da Teia da Diversidade, possibilitando o desenvolvimento de ações voltadas ao fortalecimento da organização comunitária e da autonomia das mulheres quilombolas.

Além de incentivar o empreendedorismo feminino, o projeto contribui para ampliar a visibilidade da cultura quilombola da comunidade Pilões e fortalecer a economia local por meio da comercialização das biojoias produzidas pelas artesãs.

Direitos garantidos pela Constituição

As comunidades quilombolas são reconhecidas pela Constituição Federal de 1988, que assegura aos remanescentes de quilombos o direito à propriedade de seus territórios tradicionais. O artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) determina que o Estado promova a titulação dessas áreas, enquanto o Decreto Federal nº 4.887/2003 regulamenta os procedimentos para identificação, reconhecimento e regularização dos territórios.

Além da garantia territorial, os quilombolas têm acesso a diversas políticas públicas, entre elas:

regularização fundiária de seus territórios;
educação escolar quilombola;
políticas de saúde voltadas às comunidades tradicionais;
assistência técnica para agricultura familiar;
programas de incentivo à produção sustentável;
acesso a crédito rural;
programas habitacionais;
políticas de preservação ambiental;
reserva de vagas em universidades e concursos públicos por meio das ações afirmativas previstas na legislação.

Essas medidas fazem parte da política brasileira de reparação histórica, criada para enfrentar as desigualdades deixadas por séculos de escravidão e exclusão social, promovendo a valorização das comunidades tradicionais e de sua contribuição para a formação do país.

Quilombos em Goiás

Goiás possui diversas comunidades quilombolas reconhecidas. A mais conhecida é o Território Kalunga, em Cavalcante, considerado o maior território quilombola do Brasil. No Oeste goiano, a Comunidade Quilombola Pilões, em Iporá, também vem ganhando destaque pelo trabalho desenvolvido nas áreas de cultura, preservação ambiental e empreendedorismo.

Com iniciativas como o projeto Saberes do Cerrado, a comunidade demonstra que tradição, sustentabilidade e geração de renda podem caminhar juntas, fortalecendo a identidade quilombola e criando novas oportunidades para as mulheres que preservam os saberes ancestrais do Cerrado.