Dom Lindomar alerta para os riscos da união entre religião, política e poder econômico

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Durante entrevista à Rede Diocesana de Rádio, bispo afirma que a missão da Igreja deve permanecer centrada no Evangelho e critica o uso da fé para interesses políticos e financeiros.

A crescente aproximação entre religião, política e poder econômico foi tema da entrevista concedida por Dom Lindomar Rocha à Rede Diocesana de Rádio. Ao comentar casos recentes envolvendo lideranças religiosas e instituições financeiras, o bispo da Diocese de São Luís de Montes Belos fez um alerta sobre os riscos dessa relação e defendeu que a fé jamais seja utilizada como instrumento para obtenção de vantagens políticas ou econômicas.

Segundo Dom Lindomar, embora o cristão seja chamado a participar da vida em sociedade, a missão da Igreja não pode ser confundida com projetos de poder.

“Quando a religião mistura-se com o poder político e o poder econômico, deixa de anunciar o Evangelho para defender interesses. E isso nunca acaba bem”, afirmou.

Casos recentes reacendem o debate

Durante a entrevista, Dom Lindomar comentou as investigações envolvendo instituições ligadas a lideranças religiosas e observou que situações como essas evidenciam a necessidade de maior transparência na administração de bens e recursos.

Para o bispo, quando não há uma separação clara entre patrimônio pessoal, patrimônio institucional e recursos das igrejas, surgem questionamentos que comprometem a credibilidade das instituições religiosas perante a sociedade.

Ele lembrou ainda que diversos países já adotam regras mais rígidas para evitar conflitos entre atividade religiosa, política e econômica, defendendo que o Brasil também aprofunde esse debate.

Fé não pode ser instrumento de enriquecimento

Outro ponto destacado por Dom Lindomar foi a necessidade de os fiéis desenvolverem senso crítico diante de práticas que possam desvirtuar a missão religiosa.

Segundo ele, a Igreja existe para conduzir as pessoas ao encontro com Deus e não para gerar enriquecimento de seus líderes.

“Ninguém deveria enriquecer por meio da religião. Quando isso acontece, existe algo que precisa ser revisto.”

O bispo recordou ainda as palavras de Jesus no Evangelho de São Mateus: “De graça recebestes, de graça deveis dar”, reforçando que a evangelização não pode ser transformada em instrumento de exploração financeira.

Benefícios fiscais exigem responsabilidade

Na entrevista, Dom Lindomar também abordou a isenção tributária concedida às instituições religiosas. Para ele, esse benefício é importante para garantir a liberdade religiosa, mas deve ser acompanhado de responsabilidade e transparência.

O bispo alertou que qualquer utilização indevida desses benefícios acaba prejudicando toda a sociedade, defendendo mecanismos que assegurem que os recursos destinados às igrejas sejam empregados exclusivamente em suas finalidades religiosas e sociais.

Missão da Igreja deve permanecer no Evangelho

Ao encerrar a entrevista, Dom Lindomar reafirmou que a principal missão da Igreja continua sendo anunciar o Evangelho, promover a dignidade humana e formar a consciência dos fiéis.

Para o bispo, religião, política e economia possuem papéis importantes na sociedade, mas precisam atuar dentro de seus próprios limites, preservando a liberdade de consciência e evitando que a fé seja utilizada como instrumento de poder ou de interesses particulares.

Ouça abaixo a entrevista completa: