Déficit previdenciário volta ao centro do debate em Iporá e preocupa servidores

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O futuro da previdência dos servidores municipais voltou a ser tema de discussão em Iporá. Durante manifestação realizada nesta semana, representantes dos servidores, dirigentes sindicais e integrantes do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Iporá (IPASI) debateram alternativas para enfrentar o crescente déficit financeiro do sistema.
O IPASI é responsável pela gestão da previdência própria dos servidores municipais. Atualmente, o instituto atende cerca de 1.500 beneficiários, sendo aproximadamente mil servidores ativos que contribuem mensalmente para o sistema e cerca de 500 aposentados e pensionistas que recebem benefícios. Como ocorre em diversos regimes próprios de previdência dos municípios brasileiros, o desafio está no equilíbrio entre o número de contribuintes e o volume de benefícios pagos.
Embora a estrutura administrativa do instituto seja considerada organizada, o aumento do déficit atuarial tem gerado preocupação entre segurados e gestores. Segundo o assessor jurídico do IPASI, advogado Mauro André Branquinho Ferreira, existe uma proposta de solução em tramitação desde abril e que depende de aprovação da Câmara Municipal para avançar.
De acordo com o advogado, a Prefeitura de Iporá vem cumprindo os parcelamentos firmados para quitação de débitos previdenciários. Ele defende, entretanto, a adoção de medidas complementares para fortalecer o caixa do instituto, entre elas a destinação de recursos provenientes da venda de imóveis pertencentes ao município, proposta já apresentada pelo Poder Executivo.
Por outro lado, a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Denise, demonstra preocupação com a situação financeira do instituto. Segundo ela, apesar de o parcelamento firmado em até 300 parcelas estar sendo atualizado regularmente, permanecem outras pendências que comprometem a sustentabilidade do regime previdenciário.
A dirigente sindical afirma que o IPASI enfrenta riscos significativos caso não sejam adotadas medidas mais efetivas para recompor suas receitas. Na avaliação do sindicato, uma das alternativas seria o bloqueio de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para garantir o repasse de valores ao instituto.
Ainda não há definição concreta sobre a adoção dessa medida. Durante a reunião realizada nesta semana, Mauro Branquinho informou que poderá solicitar judicialmente o arresto de recursos como forma de assegurar a saúde financeira da previdência municipal.
Outro ponto debatido foi o desempenho dos investimentos do instituto. O presidente do Comitê de Investimentos do IPASI, Julio Humberto de Lima Araújo, explicou que em 2025 o cenário de juros elevados proporcionou resultados positivos para as aplicações financeiras do fundo, chegando a registrar rendimentos mensais próximos de R$ 100 mil em determinados períodos. No entanto, segundo ele, a redução gradual das taxas de juros tem diminuído a rentabilidade dos investimentos, tornando ainda mais importante a busca por novas fontes de equilíbrio financeiro.
O sistema previdenciário municipal é administrado atualmente pela presidente Valquiria Bastos Silva, tendo como tesoureira Thays Renata de Sousa e Silva. O Conselho Curador é presidido por Ilton Souza A. Júnior. A estrutura também conta com o Departamento de Investimentos, sob responsabilidade de Julio Humberto de Lima Araújo, assessoria jurídica de Mauro André Branquinho Ferreira e assessoria contábil de Fabio Gonçalves dos Reis.
O debate sobre o futuro do IPASI deve continuar nas próximas semanas, especialmente em razão das propostas que dependem de análise e votação pela Câmara Municipal. O tema é acompanhado com atenção pelos servidores ativos, aposentados e pensionistas, que dependem da solidez financeira do instituto para garantir o pagamento dos benefícios previdenciários no presente e no futuro.